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ÁGUA: VOCÊ PODE VIVER SEM ELA?

 

As mais bonitas imagens da Terra, aquelas que são agradáveis aos olhos, à imaginação e são um convite ao relaxamento, sempre têm a água em sua composição: as ondas do mar, as cachoeiras, os lagos espelhados, um riacho cristalino, a neve sobre as montanhas, a chuva caindo, o orvalho...

 

É um privilegiado aquele que pode viver à beira-mar ou próximo de um rio ou lago ou ainda aquele que pode sentir o cair da chuva regularmente.

  

Imagine que, ao invés de simplesmente abrir uma torneira, você tivesse que andar alguns quilômetros todos os dias para coletar água para sua casa. E, ao chegar à fonte, no lugar de água pura, encontrasse lama no leito de um rio seco. E essa água seria usada para fazer comida, higiene pessoal, lavar roupas e matar a sede. Imaginou? Pois para mais de um bilhão e meio de pessoas isso não é imaginação, é a vida real. Por volta de 2025 serão cerca de 4 bilhões de pessoas vivendo em regiões com escassez de água e a ONU garante que  mais de 100 países podem virar deserto.

 

Hoje, onze países da África e nove do Oriente Médio já não têm água. A situação também é crítica no México, Hungria, Índia, China, Tailândia e Estados Unidos. O Brasil detém 11,6% da água doce superficial do mundo, dos quais 70% disponíveis para uso estão localizados na Região Amazônica e os 30% restantes distribuem-se desigualmente pelo País, para atender a 93% da população. (DNAEE 1992)

Poluição, contaminação, alterações climáticas que o ser humano provoca, degradação ambiental contribuem sem sombra de dúvidas para a falta de água, o que representa um perigo para a saúde e bem-estar do homem.

 

O ciclo da água  

A água desenvolve um ciclo. O chamado ciclo da água é o caminho que ela percorre. A chuva é o resultado da água que evapora dos lagos, rios e oceanos, formando as nuvens. Quando as nuvens estão carregadas, soltam a água na terra. Ela penetra o solo e vai alimentar as nascentes dos rios e os reservatórios subterrâneos. Se cai nos oceanos, mistura-se às águas salgadas e volta a evaporar, chove e cai na terra.  A quantidade de água existente no planeta não aumenta nem diminui. Acredita-se que a quantidade atual de água seja praticamente a mesma de há 3 bilhões de anos.

 

Salgada e Doce

Se a quantidade de água existente no mundo fosse comparada a um galão (3,8 litros), o total de água doce seria igual a 4 onças (118 mililitros) ou 3% e o total de água doce imediatamente acessível chegaria a 2 gotas. (Miller, G.T. 1998. Living in the Environment, 10th Edition. Wadsworth Publishers, Belmont, California)

 

Sem comparações, 97% da água do planeta é salgada e dos 3% restantes de água doce, 70% estão nas geleiras e calotas polares, 29,95% está no subsolo e menos de 0,5% está nos rios e lagos.

 

Consumo desordenado 

Hoje, para aqueles que podem usufruir de uma rede de distribuição de água potável, gastar cerca de 250 litros por dia é o normal. Não paramos para pensar que entre todos os recursos naturais renováveis do planeta, a água é o único elemento indispensável para nossa sobrevivência. Como a possuímos ao abrir de uma torneira, nem nos damos conta do quanto a desperdiçamos e poluímos. É comum ouvirmos notícias de que a água está faltando: as represas estão secando, os mananciais estão poluídos, a população aumenta e a rede de distribuição continua a mesma, mas não damos muita atenção.

 

Estima-se que no Brasil atividades domésticas e comerciais representam cerca de 22% do gasto de água. As atividades industriais representam um gasto de mais ou menos 19% e as atividades agrícolas são aquelas que mais gastam água: cerca de 59% do consumo. Embora exista muita água no Brasil (só o Amazonas despeja no mar o equivalente a 3.840 vezes a água consumida na cidade de São Paulo), ela está muito mal distribuída: há excesso na região Norte, o suficiente na região sul e deficiência no resto do país.

 

Em vista destes fatos, levando-se também em conta o racionamento de energia elétrica pelo qual acabamos de passar, por causa da falta de água nos reservatórios, precisamos parar para pensar na importância de se preservar e utilizar com racionalidade este elemento sem o qual não é possível viver.

 

É necessário uma mudança de mentalidade, de atitudes políticas e de postura de vida, para que cada um faça a parte que lhe cabe neste trabalho. A pessoas não devem desperdiçar água em casa, o governo deve estabelecer padrões anti-desperdício que devem ser adotadas não só nas indústrias, mas principalmente nos campos agrícolas. Uma melhoria de apenas 10 por cento na eficiência da distribuição de água para sistemas de irrigação conservaria água suficiente para dobrar a quantidade de água potável disponível no mundo inteiro. E ninguém pode esquecer que a economia, peça tão importante no mundo globalizado, o trabalho, a saúde, a produção de riquezas, o bem estar social estão diretamente ligados à disponibilidade da água.

 

Mudar para sobreviver 

O crescente agravamento da falta de água deve levar as pessoas a estabelecer uma nova forma de pensar e agir, inclusive mudando seus hábitos, usos e costumes. Essa nova forma de pensar e agir deve visar o crescimento econômico respeitando a capacidade dos recursos do meio ambiente, sobretudo a água.

 

A consciência ambiental precisa ser despertada em todas as camadas da sociedade. Pequenos cuidados já são de grande valia, como usar a mesma água para diferentes finalidades, por exemplo, a água usada para lavar roupa é depois usada para lavar o quintal; evitar vazamentos; regar jardins e plantas na parte da manhã ou no final da tarde; lavar o carro eventualmente; não lavar calçadas, apenas varrer; não instalar válvulas de descarga nos vasos sanitários e sim caixas de descarga, que são mais econômicas e produzem o mesmo resultado e conforto.

 

Recurso natural de valor econômico, estratégico e social, essencial à existência e bem estar do homem e à manutenção dos ecossistemas do planeta, a água é um bem comum a toda a humanidade. A conscientização e a educação do povo, do consumidor, dos políticos que fazem as leis são fundamentais.  Racionalizar o uso da água não significa ficar sem ela periodicamente. Significa usá-la sem desperdício, considerá-la uma prioridade social e ambiental, para que a água tratada, saudável, não falte para ninguém.